Will & Will: Um nome, um destino.

quinta-feira, abril 03, 2014

Ouvi boatos de que não era bom. Ouvi boatos de não valia a pena ler e que a historia não era bem escrita. Esses boatos me deixaram mais curiosa ainda. Afinal, o que esperar de um livro que dizem ser “bafônico” com um romance homossexual e personagens com nomes iguais? Juntei coragem e comprei um dos melhores livros do John Green em parceria com David Levitan, “Will & Will – Um nome, um destino”.


Nas primeiras páginas conhecemos o Will Grayson (1) vou separar por Will 1 e Will 2 - que é na dele, prefere se passar de invisível durante o Ensino Médio, seus pais são médicos, mora em Chicago e vive a sua vida sob duas regras muito simples: 
1) não se importe muito com nada 
2) cale a boca. 
Ele é heterossexual e é o melhor amigo de Tiny Cooper, que por sua vez “não é a pessoa mais gay do mundo, tampouco é a maior pessoa do mundo”, porém talvez ele “possa ser a maior pessoa do mundo que é muito, muito gay...” Tiny é uma pessoa fora dos padrões normais, e não falo de seu tamanho, mas do seu próprio modo de levar a vida. O cara consegue ser super engraçado, um amigo que EU adoraria ter, de bem com sua homossexualidade e consigo mesmo, se apaixona e morre de amor e de decepção diariamente devido a seus relacionamentos estilo The Flash. Tiny está preparando um musical contando a história de sua gloriosa vida, e essa peça não seria completa sem Will (1), porém essa ideia de ser retratado em uma peça não agrada em nada Will (1).


 Já o Will Grayson (2) é bem solitário, muitas vezes o achei pessimista e fechado para o mundo, ele tem depressão e utiliza medicação constantemente para se manter no controle. Ele vive apenas com a mãe, e por fim não consegue assumir a homossexualidade e cultiva uma exótica amizade com Maura. Na verdade ele tenta afastar Maura de sua vida, mas ela acaba sendo muito insistente em ficar perto dele. Mas mesmo sendo depressivo, o Will (2) procura alguém para tirá-lo do abismo que é a sua vida e acaba encontrando uma luz no fim túnel, algo que lhe faz querer continuar vivendo: Isaac. Will (2) conheceu Isaac em um bate-papo da internet, se apaixonaram e depois de muito tempo conversando on-line, eles decidem que está na hora de se conhecerem pessoalmente. 

“tenho a sensação de que minha vida está muito dispersa neste momento. como se fosse um monte de pedacinhos de papel e alguém ligasse o ventilador. mas falar com você me faz sentir como se o ventilador tivesse sido desligado por um tempo. como se as coisas pudessem de fato fazer algum sentido. você junta todos os meus pedacinhos, e sou muito grato por isso.” Will (2)


Maura por fim acaba sendo odiada por Will (2). Acontece que Maura fez uma coisa muito séria, que não é digna de uma amizade e mesmo se sentindo culpada e pedindo perdão, Will (2) não consegue desculpá-la, e se não bastasse o problema com Maura, ele sofre muito com uma grande decepção amorosa. 

 “quando as coisas se quebram, não é o ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam, é porque um pedacinho se perde - as duas bordas que restam não se encaixam, mesmo que queiram. a forma inteira mudou.” Will 2

E nada poderia ser mais estranho do que duas pessoas com o mesmo nome - Will Grayson - encontrarem-se, ao acaso, em uma fria noite, num lugar bem inusitado – que eu não vou dizer qual é, mas é muito inusitado mesmo - e acabam tendo seu destino entrelaçado por nada mais nada menos do que o fabuloso Tiny Cooper! 

"Estamos sempre tendo essa conversa. mas, se você continuar se concentrando no porquê de tudo ser tão difícil pra você, nunca vai perceber como poderia ter sido fácil." - Tiny

Ele, Tiny, é a grande estrela da obra, mesmo que seu nome não esteja no título. Melhor amigo de um, e o amor de outro (SIIIM). Tiny é o ponto central do livro, e ele é imensamente especial e consegue perceber que seu musical não pode ser sobre a vida DELE, por que isso seria muito egoísmo e então ele acaba reescrevendo tudo e por fim percebendo que seu musical e tudo mais são sobre a coisa mais importante que temos na vida: o AMOR. 


Não posso esquecer-me de citar Jane Turner, a primeiramente amiga e depois namorada de Will (1). O relacionamento deles foi complicado inicialmente, mas o desfecho me impressionou e muito. Durante uma das conversas deles, o leitor é apresentado ao Gato de Schrödinger:

 “Trata-se de uma experiência imaginária, na qual um gato, no papel de cobaia, está vivo e morto ao mesmo tempo dentro de uma caixa fechada. E não estamos falando de espiritismo, mas de mecânica quântica, o ramo da física que estuda o estranhíssimo mundo das partículas subatômicas” O Mundo da Física

Parece meio sem sentido, mas quando comparamos essa teoria com a nossa vida e nossos sentimentos como Jane e Will (1) comparam, fica mais interessante:

"Mesmo que você não veja o gato no estado em que ele se encontra, qualquer que seja, o ar observa. Portanto, manter a caixa fechada apenas mantém você no escuro, não o universo." Will 1


O ponto positivo do livro é que ele é totalmente divertido, gostoso de ler e consegue entreter e tem uma surpresa incrível no final. É super fácil diferenciar cada Will, pois a visão de cada um se encaixa em capítulos intercalados, e o Will (2) escreve sempre com letras minúsculas mesmo no inicio da frase, o que eu particularmente achei estranho no começo, mas acabei adorando por final. 

“talvez esta noite vocês tenham medo de cair, e talvez haja alguém aqui ou em algum outro lugar em quem vocês estejam pensando, com quem estejam preocupados, se afligindo, tentando decidir se querer cair, ou como e quando vão alcançar o solo. e preciso dizer a vocês, amigos, que parem de pensar na aterrissagem, porque o importante é a queda. talvez haja alguma coisa que vocês tenham medo de dizer, ou alguém que vocês temam amar, ou algum lugar aonde têm medo de ir. vai doer. vai doer porque é importante.” Will 2


John Green e David Levithan conseguem unir em 352 páginas tudo o passamos na adolescência, todos os sentimentos de confusão e felicidade, aceitações, ódio e perdão misturados com uma porção de frases que te fazem refletir muito, e, além disso, quebram barreiras em relação ao preconceito homossexual. Abordando assuntos como o primeiro amor, a coragem pra sair do armário e eliminando tabus sobre beijos gay. 

Will & Will é um livro para ser lembrado. E não é a toa que é o primeiro livro com personagens gays a entrar na lista do New York Times.

Quando terminei de ler o livro, fiquei como fico em todos os finais de livros do John: uma mistura de emoções e sentimentos espalhados em mim, que levam um tempo para voltar ao seu lugar.

Nota para o livro: 4 cupcakes!


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11 comentários

  1. Minha irmã comprou. Eu li a sinopse e gostei. Pedi pra ela me emprestar assim que terminar :D
    Adorei a resenha! Obrigada!

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  2. Eu também achava que o livro não valia muita coisa devido a várias resenhas frustradas que li, mas depois dessa, Marieli, sinto que se não ler serei excluída do mundo, hahaha. Resenha maravilhosa!
    Beeijo
    www.strawberries.com.br

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  3. Tenho esse livro com a capa cinza ^^
    Não que eu não tenha gostado, eu adorei a ideia da historia e a forma que trabalhou os personagens, só achei que ficou massante ao decorrer..
    mas decepção mesmo com John Green eu tive com o O teorema Katherine =/

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  4. Mariele, você me convenceu. Fiquei curiosa com o livro e ele entrou na minha lista de leituras.Depois conto o que achei.

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  5. Adorei a sua resenha, muito bem escrita e organizada!
    Sou muito apaixonada na capa desse livro, mas ainda não o li.

    Beijinhos!

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  6. Ahh eu to com muita vontade de ler ele! É o único do John que ainda não li e sua resenha me fez querer ler ainda mais, muito boa. Assim como a história parece ser.

    Ainda to terminando TWD 2 e depois vou ler O Chamado do Cuco(você já leu?) mas esse vai ser o próximo da lista!

    Beeijos
    A Mente Transborda

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    1. O chamado do cuco? nunca ouvi falar, é sobre o que?
      beeeijos

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  7. Que edição linda a minha è aquela cinza!!! Eu amei a historia!!

    simplesmenteassimj.blogspot.com

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    1. Eu também achei essa edição maravilhosaaa! :D

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